Ontem redescobri porque é que sou utente do sistema de saúde privado em vez do público. E descobri numa visita ao Serviço de Atendimento de Situações Urgentes (vulgo Centro de Saúde).

Entre outras coisas, estava lá uma profissional dos Centros de Saúde. E era profissional porque deve passar lá tanto tempo que já dominava uma série de situações:

 

  • Sabia que a televisão estava desligada, porque desde que o Centro de Saúde de dia foi transferido para outras instalações, que o SASU (que só atende à noite) tem a televisão desligada.
  • Sabia o preço de todos os itens da máquina de “snacks”
  • Sabia o preço de todos os tipos de cafés, descafeinados, capuccinos, leites achocolatados e afins
  • Sabia qual a ordem de chegada de cada pessoa, quando estavam cerca de 40 pessoas em espera
  • Sabia exactamente quanto tempo faltava para ser atendida, tendo em conta não só o tempo médio de atendimento de cada médico (estava 3 a atender e ela sabia quem eram), mas também que esse tempo varia (i. e., fica mais curto) conforme nos vamos aproximando da hora de encerramento do SASU
  • Sabia que ontem era dia de grande afluência, pois era o dia seguinte a um feriado e as pessoas, e passo a citar, “só se lembram que estão doentes depois do fim-de-semana ou do feriado”. Fim de citação.

Mas o que mais me impressionou nesta profissional, foi o facto dela a certa altura, depois de comprar um pacote de bolachas de água e sal para a filha de 3 anos, se virar para a criança e dizer:

 

“Agora, se eu vir alguma migalha no chão, parto-te essa cornadura toda”